>>1729Eu percebo o que dizes. Mas a animação digital veio para ficar e já não há volta a dar, creio que a última série animada em celulóide foi em 2017, e a produção desses substratos já acabou. Portanto, digital ou nada. Ainda fazem algumas experiências interessantes para recriar a estética antiga, o
Megalo Box sendo um bom exemplo, mas já não há muito a fazer quanto ao tratamento digital nas produções. Já agora, foste buscar um exemplo um bocado extremo, a Ufotable é um estúdio que sempre teve na vanguarda dessas técnicas de animação digital, a maior parte dos outros estúdios não se põe com essas paneleiradas tanto por constrangimentos de produção (falta de tempo, pessoal, etc.) como também por visão artística. Já agora, a Ufotable usa também muitos modelos 3D e depois passa a linha por cima para quebrar um bocado o efeito efeito do CGI; tenho ideia que a Sunrise fez a mesma coisa no
Gundam Unicorn, eles animam o modelo 3D do Gundam e depois desenham por cima. Sempre é ligeiramente melhor do que só 3D, mesmo que destrua a arte do animador ao tirar ao artista a responsabilidade de ele fazer o
tracking, sempre é um bocado menos preguiçoso do que só se ficar pelo modelo 3D.
As camadas de "maquilhagem",
blush e gradientes de cor no cabelo das personagens, etc. costuma ser terrível. As sombras digitais costumam ser horríveis também, mas agora água e fogo CGI é simplesmente terrível e vê-se cada vez mais. O
Vinland Saga para mim perde muito do charme por causa da água 3D e por causa da palete de cores digitais esbatidas. A palete de cores em particular é algo que me incomoda, recordo a animação dos inícios dos anos 2000 e aquilo era mesmo muito mau; mas antes disso, o estúdio Ghibli já usava animação digital e as cores eram sempre bastante bem conseguidas.
Eu não acho que toda a animação digital seja má. O
Mononoke foi uma série com muitos objectos 3D e a direcção visual da série salvou-a, o mesmo com o
Ping Pong que tem 3D a torto e a direito. Eu sou bem mais ludita do que tu, se pudesse clicar no botão para VOLTAR ATRÁS! eu nem pensava duas vezes. Mas reconheço livremente que a indústria com recursos de produção dos anos '90 e a procura actual simplesmente seria incapaz de dar conta do recado.